Quanto a sua empresa paga a mais de frete (e não sabe)

Em operações sem conferência sistemática, de 3% a 8% das faturas de frete carregam alguma cobrança indevida. Não é fraude na maioria dos casos — é o detalhe que ninguém confere: peso divergente, taxa não contratada, tabela reajustada antes da hora. Volume alto de CT-e e tabelas complexas por rota e modal fazem o resto. O resultado é custo recorrente que passa despercebido.

A boa notícia: esse dinheiro é recuperável, e a auditoria tem ROI autofinanciado — você paga com parte do que recupera. Veja onde o frete vaza.

1. As 8 cobranças que mais aparecem

1. Peso ou cubagem divergente. Frete calculado sobre peso ou volume maior que o real ou o contratado. A campeã das divergências.

2. Reentrega cobrada indevidamente. Nova tentativa cobrada quando a falha não foi do embarcador.

3. Generalidade / ad valorem incorreto. Percentual aplicado sobre valor de nota errado ou acima do contratado.

4. Taxas extras não contratadas. TDA, TDE, taxa de agendamento e afins que não constam no contrato.

5. Tabela desatualizada. Reajuste aplicado antes do prazo ou com índice diferente do acordado.

6. GRIS sobre base errada. Gerenciamento de risco calculado sobre um valor que não é o da mercadoria.

7. Pedágio em duplicidade. Pedágio já embutido na tabela ou contado duas vezes na rota.

8. Classificação de rota incorreta. Praça enquadrada numa faixa de distância ou região mais cara que a real.

2. Como montar a conferência

Auditar frete é cruzar, fatura a fatura, o que foi cobrado (CT-e) contra o que foi contratado (tabela e regras). O passo a passo:

  • Reúna os CT-e do período e a tabela vigente, com todas as taxas e regras.
  • Cruze peso/cubagem, distância, taxas, índices e datas de reajuste.
  • Classifique as divergências por tipo e valor — priorize o que mais pesa.
  • Conteste e recupere o retroativo; renegocie o que estiver fora de mercado.
Exemplo ilustrativo. Um embarcador global de material esportivo, com alto volume de CT-e e malha nacional, substituiu a checagem manual por amostragem por conferência sistemática de 100% das faturas. As divergências de peso, reentrega e tabela passaram a ser rastreadas e devolvidas — e a auditoria virou rito mensal, com dashboard de economia acumulada.

3. Pontual vs. contínua

Um pente-fino único recupera uma vez. Mas, sem conferência recorrente, o vazamento volta na rotina do mês seguinte. É por isso que o ganho que se sustenta está na auditoria contínua: conferência mensal, contestação automática das divergências conhecidas e um painel que mostra quanto foi identificado, contestado e recuperado ao longo do tempo. A fase Governar do Ciclo MK aplicada ao frete.

Conclusão

Três pontos: (1) 3% a 8% das faturas têm cobrança indevida quando ninguém confere; (2) auditar é cruzar CT-e contra tabela, fatura a fatura, e recuperar o retroativo; (3) o ganho duradouro está na conferência contínua, não no pente-fino isolado.

Quer ver o tamanho do seu vazamento?

Baixe o guia das 8 cobranças indevidas de frete da MK — ou peça uma conferência de amostra das suas faturas contra a tabela contratada. O risco é nosso.

Quero o guia
Gonzalo Ferreyra

Gonzalo Ferreyra

Líder · Supply Chain & Operações

Consultor sênior com mais de 25 anos em supply chain, logística e excelência operacional. Palestrante no CSCMP sobre o mundo VICA. LinkedIn